Cabelo desgrenhado, oleoso, amarrado num coque meio sem jeito. Olhos cansados, mas atentos. Barriga flácida, parecendo um colchão d’água ao toque. Calça de pijama e seios à mostra. Nada de camisa de botões ou sutiã de amamentação. No alvoroço, tudo isso foi pro chão.
A postura na cama é completamente questionável aos olhos de um ortopedista, mas bom, depois ela pensa nisso. O bebê precisa dela e ela precisa agir. As escápulas ardem e o tendão do antebraço pede alívio, mas calma… Se ela mudar de posição, o bebê vai voltar a chorar. Voltou.
Ele não está ficando tanto no seio hoje e isso sempre o acalmou. O que será que tá pegando? Essa era a técnica principal dela para acalmá-lo e hoje não funcionou. É a primeira vez que não funcionou, na verdade. Será que agora vai ser sempre assim? Como vai ser daqui pra frente? Calma, pensa no agora primeiro.
Tá, e se ela levantar com ele no colo e começar a cantar alguma coisa? Vai quê… Não. Piorou. Eita. Volta pra cama que tava menos pior. Mas gente, o que será que ele quer? Ué. Parece que ele está mais calmo um pouco. O que ela fez? Ou será que ele cansou? Será que…
Será. Deixa ressoar no será. O puerpério é um lago de incertezas. Quando parece que finalmente se entendeu alguma coisa, um “será” está à sombra dos pensamentos e só resta aceitar e seguir até a próxima dança.
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